segunda-feira, 23 de abril de 2018

Dor

Quando você vem
Nunca tem uma porta aberta
Eu tento ao máximo evitar olhar sua face
Pois eu sei que não me fará nada bem

Já te amei, hoje não mais
Te expulso e suplico que não volte
Mas você é viciante
Teu corpo me rende

Tua presença me faz escrever os mais lindos poemas
E os que mais me fazem chorar
E a cada lágrima um novo arrependimento de ter provado o amargo mel do teu beijo
Então eu imploro

Vá e não olhe pra trás
De ti não quero mais nada
Vá e arranje outro escravo
Alguém que sofra melhor que eu

domingo, 22 de abril de 2018

Terra Brasilis


Os meus pedaços no chão
Por assim dizer
Estou perdido e quebrado
Sem direção
Eu sou só a bússola de Cabral
Quebrada
O Levando à loucura
Perdido nos mares
Eu sou o acaso que por acaso me acho ali
Eu sou a terra a vista
Eu sou a parte oculta no mapa
Que por "acaso" se encontra ali

Eu sou o lugar desconhecido
A ilha habitada por pessoas selvagens
Ou seria o Eu no barco o selvagem?
Com o tempo eu mesmo descobriria a resposta

Eu sou a árvore cortada
Quase extinta e rara
Nenhum galho meu no chão sobrou
Nem raiz
Nem semente
Procure por mim
E você só me encontrará em um lugar

Eu sou dos quatro cantos
A miscigenação
A cobrança por algo melhor
E a causa de nada mudar
Eu sou desonesto que cobra a honestidade

Eu sou eu
Eu sou você
E você não é eu
Somos todos iguais
Mas eu não sou igual você

Eu sou o tiro de intolerância
Que vem de todos os lados
Principalmente dos que dizem que não atiram
Ou talvez não
E
Eu também sou o medo de dizer o que pensa
O medo de ser sufocado a ter uma opinião só

Eu sou as massas divididas
Eu sou cada biscoito da sorte que cada um chama como quer
E cada um acaba sendo o mesmo
Então todo mundo chama de opinião

Eu sou a pátria amada
Que é cantada nos estádios
E logo trocada por qualquer outra pátria
Apenas por um fast-food melhor
Por um iphone em conta
Por um pão e circo melhor

Eu sou os buracos no asfalto
As brechas na lei
As crateras
Aloe vera

Eu sou a cidade maravilhosa
Eu sou o sertão seco
Eu sou os cactos lindos
Eu sou também a bala perdida
Eu sou a novela
Eu sou a cadeia
Eu sou o futebol
Eu sou a decadência política
Eu sou a crise
Eu sou o sorriso no meio dela
Eu sou o poeta
Eu sou o insensível
Eu sou Terra Brasilis


Eduardo Campos a.k.a BoB

sábado, 21 de abril de 2018

Quanto menos você souber melhor

Quanto menos você souber melhor
Eu não sou o tipo de cara que te agradaria
Eu não sou o tipo de cara que me agrada
Mas por essa noite, eu posso ser quem você quiser
Posso ser quem eu sonho ser
Quanto menos você souber melhor
Já preenchi o vazio no peito de muitas, e deixei um maior ainda quando fui embora
Nunca preenchi o vazio no meu peito
E a cada relação superficial que tinha só aumentava
Mas não quero te chatear com tudo isso não é mesmo?
Quanto menos você souber melhor
Já menti várias vezes em troca de noites com mulheres que não merecia
E enquanto mentia, dizia odiar mentirosos
Minha hipocrisia e arrogância me levaram a ruína
Por isso
Quanto menos você souber melhor
Talvez se você não me conhecer, eu esqueça de quem eu fui
Talvez esqueça de quem sou
E comece a pensar somente em quem eu vou ser com você
Então por favor
Acredite em mim quando digo
Quanto menos você souber
M e l h o r

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Atrito





Meus textos longos, incessantemente, não cabem nas tuas frases curtas e minhas vírgulas atrapalham teu ponto final. 
Somos muito incompatíveis, ou fazemos essencialmente parte um do outro? 
Fragmentos de um quebra cabeça. Duas peças infantis e confusas.
Aguardo esperançosa por paz constante, mesmo que minha descrença permaneça intacta. Pensamentos sem nexo, insensatos, como meu amor.
Me rasgo ao meio, toda vez que minimamente me machuca e me regenero de forma diligente e dolorosa, por um sorriso ou por falta do teu calor.
Testemunho as linhas de tuas costas cruelmente bonitas, uma tela pintada por anjos caídos; 
por ti.
De lágrimas eu te pinto. Incolor e deplorável.
Meus olhos inchados, enquanto prometo não mais chorar. Enquanto me questiono, quando virei alguém que chora na presença de outro ser. No espelho, o reflexo é emotivo, inferior, quase patético.
No meu peito aperto o nó da culpa, que se faz cada vez mais forte. Anseio por uma dose letal de qualquer coisa que me faça parar de sentir.
Eu penso em desistir, internalizo todo o meu vício, talvez isso morra comigo. Talvez, mesmo em outra vida, eu continue a amar você.


Olívia.

Egoísmo

Você não mudaria por mim
Eu não mudaria por você
E insistimos em chamar de amor
O que na verdade é egoísmo
É como se houvesse apenas uma bala no revólver
E duas vidas desejando um fim.


Victor Hugo

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Querendo ao menos beijar a boca dela



Eu quis sorrir
Mas boca fechou
Eu quis amar
Mas o coração trancou
Porém, eu inutilmente
Fui atrás da chave no peito dela  
Então fui andar 

E ao andar 
A perna travou
O braço não levantou

O corpo... ele já tava cansado de tudo
 Ali sentado naquela cadeira, estagnou 
Eu abri os olhos 
Vi o horizonte 
E o meu mundo desabou 



By: くま



Dê Antialérgico ao mundo


O orkut não existe mais
Você não vai existir mais
Tudo vem
Tudo vai

Todas as geleiras vão derreter
E as montanhas virarão pó
Suas virtudes vão te enlouquecer
Provavelmente na sua morte estará só

Nunca encontramos o bilhete dourado
Tudo o que chegou até nós
Foram migalhas
E degustamos

Vampiros não se vêem no espelho
Quem dera ser igual eles
Não olhar para a poeira
Que deu alergia para o mundo

Até o amanhã vai ser só um sopro
Do passado
E o hoje será esquecido depois de
Amanhã

Não fique sentado esperando a morte
Mova-se
Faça alguma coisa
Depois disso
Tem permissão para morrer

Ainda poeira
O mundo ainda alérgico
Espirrando-te
Você não gosta de você
Por quê?

Dê ao mundo
Antialérgico
Ou torne-se a própria cura
Até os seres mais coloridos
Tem sombra escura



Eduardo Campos a.K.a BoB

terça-feira, 17 de abril de 2018

Eu Vejo


Eu vejo trilhões de estrelas  no jardim iluminando meu quintal
Eu vejo trilhões de flores perfumando o céu
Eu vejo Vênus, Júpiter e sujeira orbitando o jardim
Eu vejo orquídeas, rosas e abelhas na polinização das galáxias

A primeira estrofe foi só enrolação
Eu descrevi um universo paralelo
Só para escapar da acusação
Porque no fim eu sei que sou culpado
Paralelo rima com elo
Uma rima a menos de obrigação
Voltamos a rima com ão
Essas são mais fáceis
Sapatão

Prefiro mil DVD's das mil versões diferentes de Blade Runner
Do que mil flores que eu nem sei o nome
Prefiro mil fotografias do meu amor platônico
Do que mil cores na parede
Por que eu sou daltônico
Prefiro você

Danço violentamente contra a parede
Peixes tem sede?
Eu balanço entre as árvores
Coloco seu nome numa rua que eu criei
Corrijo erros matemáticos
Ignoro as leis de distância entre nós
Enrolo até você se cansar
E digo que...
Eu te amo

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Derivados do Leite


Eu comi derivados do leite
E sou alérgico a lactose
Radical
Pergunte as minhas calças

Eu ouço sempre meu lado racional 
Ele é mudo
Radical
Estou desnudo

Eu comi amendoim
Minha cara inchou até o infinito
Agora pareço panda sem pêlos na cara
Uma beleza rara

Uma garota falou comigo
Eu não consegui retribuir a atenção
Olhei para o lado e para cima
Pensei em pão

Garotas não voam
Nem avestruzes
Nem elefantes com orelhas gigantes
Cruzes!

Paus e pedras destroem tudo pela frente
Mas agora queijo também pode matar
Malditos derivados do leite
Palavras também podem matar




Eduardo Campos a.k.a BoB

quinta-feira, 12 de abril de 2018

A Importância de se Expressar


Eu expresso
Bebendo um café expresso
Dentro de um expresso polar
Mas não branco como o urso
Preto e enferrujado
A importância de se expressar
Foi apreendida
Por posse indevida de substâncias
Capazes de alterar
As relações humanas
Tornando tudo mais fácil
E melhor

Ninguém quer esse mal
Crescendo na sociedade
Pessoas se expressando
E sendo compreensivas uma com
A outra
Aniquilando assim as discussões
Inúteis e fúteis
Em qualquer lugar que possam
Escrever e postar
É o pior pesadelo que se pode sonhar

Enquanto isso
A importância de se expressar
Vai ficar aguardando julgamento
Na cadeia
Pois o risco de fuga para o exterior
Exterior quer dizer
Quintal da minha casa
É grande

Com a importância de se expressar
Imaginando o sol nascer quadrado
Tenho que mudar minhas primeiras
Palavras
Então corrigindo
Minha insensatez
E abrindo mão da minha
Lucidez

Eu não expresso
Tomando um café expresso
Dentro de um expresso
Polar
Que deveria ser branco
Como o urso
Que matamos indiretamente
Mas sabendo que é de forma direta

Não expressarei
O quão ruim estava o café
E quão ruim é estar nos trilhos
Locomovendo-me numa farsa
Polar que não é branca
E não vou me expressar

Direi o que é mandado
Nem o café
Nem o expresso polar não branco
Nem nada disso
Aconteceu
É só um delírio
Nada disso vi
Nada disso vivi

Mas a importância de se expressar
Continua aguardando
Julgamento
Todos diriam estar torcendo
Para prisão perpétua da
Importância de se expressar
Mas ninguém dirá nada
A paz mundial depende disso


Eduardo Campos

Uma Volta



Pela galáxia, vamos dar um pião lento
Isso é e real ou estou lendo?

Não sei onde me encaixar no meu disco voador
Muito menos de onde vim, ou para onde eu vou

Vagarei por dimensões, demorarei o tempo  que o universo durar
Não sei onde vou ficar, ou se quero para casa quero voltar

Se eu for pra fora da minha nave e cair no espaço
Darei um 360 nele e voltarei de descalço

Uma lentidão espacial me assola
Andei por tantos planetas que a minha bota comeu a sola

Pra terra, voltei á todo vapor
Mas em nenhum planeta achei amor

Contei há todos aonde eu fui
Por onde eu vaguei

Mas eles queria saber mesmo
É quem eu peguei

Infelizmente, para o desaponto deles
Nenhum outro ser,  eu amei.


- Um poema psicodélico para pessoas lisérgicas e com problemas amorosos


O que nós somos?

Não somos robôs, podem ficar tranquilos.
Nós somos o que escrevemos, nós somos o que vocês veem também.
O nosso blog terá foco em poemas, poesia, alguns sonetos, anti-sonetos, amores recíprocos e platônicos e se a gente tiver paciência, iremos falar de política.

Anti-revolução Francesa

Eu acordei na semana em que o Brasil parou. Um governo que não merecia flores, agora implora por compreensão. Nas cidades nada, absolutam...