domingo, 22 de abril de 2018

Terra Brasilis


Os meus pedaços no chão
Por assim dizer
Estou perdido e quebrado
Sem direção
Eu sou só a bússola de Cabral
Quebrada
O Levando à loucura
Perdido nos mares
Eu sou o acaso que por acaso me acho ali
Eu sou a terra a vista
Eu sou a parte oculta no mapa
Que por "acaso" se encontra ali

Eu sou o lugar desconhecido
A ilha habitada por pessoas selvagens
Ou seria o Eu no barco o selvagem?
Com o tempo eu mesmo descobriria a resposta

Eu sou a árvore cortada
Quase extinta e rara
Nenhum galho meu no chão sobrou
Nem raiz
Nem semente
Procure por mim
E você só me encontrará em um lugar

Eu sou dos quatro cantos
A miscigenação
A cobrança por algo melhor
E a causa de nada mudar
Eu sou desonesto que cobra a honestidade

Eu sou eu
Eu sou você
E você não é eu
Somos todos iguais
Mas eu não sou igual você

Eu sou o tiro de intolerância
Que vem de todos os lados
Principalmente dos que dizem que não atiram
Ou talvez não
E
Eu também sou o medo de dizer o que pensa
O medo de ser sufocado a ter uma opinião só

Eu sou as massas divididas
Eu sou cada biscoito da sorte que cada um chama como quer
E cada um acaba sendo o mesmo
Então todo mundo chama de opinião

Eu sou a pátria amada
Que é cantada nos estádios
E logo trocada por qualquer outra pátria
Apenas por um fast-food melhor
Por um iphone em conta
Por um pão e circo melhor

Eu sou os buracos no asfalto
As brechas na lei
As crateras
Aloe vera

Eu sou a cidade maravilhosa
Eu sou o sertão seco
Eu sou os cactos lindos
Eu sou também a bala perdida
Eu sou a novela
Eu sou a cadeia
Eu sou o futebol
Eu sou a decadência política
Eu sou a crise
Eu sou o sorriso no meio dela
Eu sou o poeta
Eu sou o insensível
Eu sou Terra Brasilis


Eduardo Campos a.k.a BoB

Um comentário:

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