sexta-feira, 20 de abril de 2018

Atrito





Meus textos longos, incessantemente, não cabem nas tuas frases curtas e minhas vírgulas atrapalham teu ponto final. 
Somos muito incompatíveis, ou fazemos essencialmente parte um do outro? 
Fragmentos de um quebra cabeça. Duas peças infantis e confusas.
Aguardo esperançosa por paz constante, mesmo que minha descrença permaneça intacta. Pensamentos sem nexo, insensatos, como meu amor.
Me rasgo ao meio, toda vez que minimamente me machuca e me regenero de forma diligente e dolorosa, por um sorriso ou por falta do teu calor.
Testemunho as linhas de tuas costas cruelmente bonitas, uma tela pintada por anjos caídos; 
por ti.
De lágrimas eu te pinto. Incolor e deplorável.
Meus olhos inchados, enquanto prometo não mais chorar. Enquanto me questiono, quando virei alguém que chora na presença de outro ser. No espelho, o reflexo é emotivo, inferior, quase patético.
No meu peito aperto o nó da culpa, que se faz cada vez mais forte. Anseio por uma dose letal de qualquer coisa que me faça parar de sentir.
Eu penso em desistir, internalizo todo o meu vício, talvez isso morra comigo. Talvez, mesmo em outra vida, eu continue a amar você.


Olívia.

Um comentário:

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